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Terreiro da Gomeia recebe, nesta sexta-feira, primeira vistoria para tombamento

Estudo arquitetônico do local é o único documento restante

Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias -
Com o anúncio oficial da desistência da Prefeitura de Caxias de construir uma creche no terreno do Terreiro da Gomeia, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) realizará a primeira vistoria no terreno nesta sexta, 31, no início da tarde, para encaminhar as tratativas de tombamento e preservação do local. Arqueólogos, arquitetos, representantes da prefeitura e a Comissão de Preservação e Tombamento da Memória Gomeia, que reúne descendentes espirituais do sacerdote Joãozinho da Gomeia (Tata Londirá) e sacerdotes do candomblé, visitarão o terreno.

O único documento pendente do processo é o estudo arquitetônico no local e a vistoria dará seguimento ao estudo. A articulação no Inepac para o tombamento do terreno, que fica localizado no bairro Jacatirão, iniciou em maio de 2019, mas paralisou devido à pandemia. O órgão é ligado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias - Divulgação
Os descendentes da Gomeia reivindicam a preservação do patrimônio histórico e religioso do terreiro, que está embaixo de 1,5 metros de terra, local considerado sagrado para o candomblé. Da mesma forma, também reivindicam que no local seja construído um centro cultural de referência à cultura negra dos povos Bantus, primeiro povo africano escravizado no país. O candomblé de nação Angola, raiz espiritual de Joãozinho da Gomeia, é de origem Bantu.

Para Lêmba Dyala, descendente da Gomeia e coordenador da Comissão de Preservação e Tombamento da Memória Gomeia, o recuo da prefeitura é positivo. Ele espera que o processo caminhe de forma a preservar a cultura negra no país.
"Com a campanha #TombaGomeia pressionamos o poder público e conseguimos o recuo, que é uma vitória. A sacralidade do terreiro de Joãozinho da Gomeia precisa ser respeitada. É preciso também respeitar a memória de todos os nossos antepassados Bantus. Queremos um centro cultural no local, um lugar de referência à cultura preta dos Bantus em Caxias", disse.
A herdeira espiritual de Joãozinho da Gomeia, Mãe Seci Caxi, afirmou que espera que o prosseguimento do estudo proteja o espaço.
"Queremos que o Terreiro da Gomeia se torne oficialmente um legado patrimonial e cultural do nosso país".

De autoria da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL), tramita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que pede o tombamento do Terreiro de Joãozinho da Gomeia.
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias Divulgação
Terreiro de Joãosinho da Gomeia, em Duque de Caxias Divulgação